Em outros tempos ser obeso era sinal de beleza e fartura, pois os que podiam ter refeições repleta de alimentos eram os nobres e isso se refletia no seu peso. Então os tempos mudaram e descobriu-se que ter um peso muito elevado afetava o tempo de vida pois traziam diversos problemas à saúde.

Com isso um novo padrão de beleza surgiu, e junto surgiu uma pressão social muito grande para seguir esses padrões. A mídia teve papel fundamental para o crescimento de doenças relacionadas a imagem corporal, entre elas anorexia nervosa e bulimia.

Anorexia nervosa

Os pacientes com anorexia nervosa apresentam, na maioria das vezes, um peso muito abaixo do normal e mesmo sabendo que correm sérios riscos à saúde, recusam a se alimentar adequadamente. Outras características comuns são a prática excessiva de atividades físicas, vômitos e outros métodos purgantes, uso de medicamentos moderadores de apetite e muitas vezes outras drogas viciantes, tudo isso porque têm uma grave distorção da própria imagem corporal.

Distorção da auto imagem

Distorção da autoimagem

Bulimia

Na bulimia a magreza não é a principal característica, pois muitos pacientes possuem peso e aparência física normal. Existe uma obsessão por cuidar desse peso ou por querer perdê- lo ainda mais, então costumam estar em uma dieta constante. No entanto, seu comportamento muda completamente de uma hora para outra e uma ingestão calória excessiva acontece por compulsão. Um pessoa saudável consome em torno de 2.000 a 2.500 calorias diariamente, e esses pacientes conseguem consumir entre 5.000 a 20.000 calorias de uma só vez, ou seja, em um único episódio de compulsão. Esses episódios são seguidos por um forte sentimento de culpa e compensados com muitos vômitos em sequência. Chegam a vomitar 15 vezes por dia com o intuito de não aumentar o peso atual. Essas provocações manuais ao vômito podem chegar a ferir as mãos e os dedos.

Sinal de Russell

Sinal de Russell – ferimentos nas mãos causados pelo excesso de provocações de vômitos

Tratamento

O tratamento para ambas as doenças deve ser feito junto com uma equipe multiprofissional, onde médicos, psicólogos e nutricionistas trabalham juntos para recuperar esses pacientes.

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A anorexia nervosa tem um tratamento mais complicado, pois esses pacientes normalmente se recusam a acreditar em sua doença e possuem uma resistência muito grande ao tratamento.

A bulimia nervosa é mais difícil de ser diagnosticada porque muitas vezes os pacientes tem as compulsões alimentares escondidos (assim como os episódios de vômitos), e como sua aparência física parece normal, é mais difícil de identificar. Mas assim que identificada, em geral, os pacientes tem uma aceitação melhor no tratamento, pois a distorção da imagem não é tão presente quanto na anorexia.

As mulheres são muito mais afetadas por esses transtornos alimentares que os homens, devido a influência da mídia ser mais direcionada a elas e também por serem mais vaidosas e preocupadas com a imagem corporal. Mas o número de homens com os sintomas para essas doenças tem crescido muito nos últimos anos. Modelos e atletas são os principais afetados.

Vendo por outro lado: a visão da psicologia

Pedimos ajuda da psicóloga Natália Parolin Bonini para entender melhor os sentimentos que esses pacientes convivem diariamente. A Natália é psicóloga clínica, terapeuta de família e especialista em psicologia hospitalar.

“Para conseguirmos alcançar a complexidade dos sintomas anoréxicos e bulímicos, é essencial compreender que comer envolve aspectos para além da ação concreta de ingerir alimentos. Com este objetivo, convido o leitor a recordar de alguma situação em que tenha ficado triste ou ansioso ou apaixonado e, por conta destes estados, teve sua alimentação alterada. Minha aposta é de que a maioria vai lembrar-se de como perdeu a fome quando apaixonou-se, ou comeu muito em um estado ansioso, ou buscou conforto para a sua tristeza em um chocolate. Pois é, resgatar nossos registros internos nos torna mais aptos a empatizar com o sofrimento do outro.

Este é um exemplo da ponte que construímos entre o mundo interno e o mundo externo, e é, justamente, esta ponte que, para quem apresenta sintomas de anorexia e ou bulimia, é difícil de construir.

Quando o mundo não parece oferecer conteúdos que nos façam bem, que nos nutram – e aqui estou falando, também, de afetos – dificilmente conseguiremos engoli-los, metabolizá-los ou, em linguagem psi, introjetá-los, torná-los parte de si, do próprio corpo. Você comeria um alimento que você sentisse ameaçar a sua existência? E algo que aparentemente não te ofereceria nada de positivo e sequer fosse apetitoso? Pode-se pensar que estas seriam motivações compreensíveis para que alguém negue se alimentar, não é mesmo? Pois bem, estamos conseguindo nos aproximar do que sente alguém diagnosticado com transtorno alimentar.

Seguindo esta lógica, é possível descrever que a anorexia seria a negação do mundo externo, a recusa de receber o que vem de fora. Já a bulimia seria o ato de tirar o externo de dentro de si. Afinal, se o conteúdo recebido simbolizar uma ameaça, devolvê-lo ao externo torna-se um caminho de intenso alívio.”

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