Para muitas pessoas comer e não ganhar peso é um sonho, mas para aqueles que realmente são assim, subir na balança é muitas vezes uma experiência desagradável. Os magros condicionais, ou magros por natureza, sofrem o mesmo tipo de dificuldade que os obesos sofrem, e também o mesmo preconceito.
No desespero por ganhar peso, muitas dessas pessoas acabam prejudicando a saúde por comer alimentos ricos em gorduras, açúcares, e outros componentes em excesso.
Essa magreza pode ser consequência de um metabolismo acelerado, e por isso, para que se reverta esse quadro, é necessário o acompanhamento com um médico endocrinologista.

A história da Ari

“Eu sou a Ariane, tenho 23 anos, 164cm e peso 47Kg, não por escolha.

Ariane

Sempre fui magra, na minha família não tem ninguém obeso.

Quando criança estava sempre abaixo do peso que era considerado “ideal” para a minha altura, apesar disso não tinha problemas de saúde. Fazia exames de rotina e nunca dava nada. Minha avó vivia dizendo que era muito magrinha e que precisava comer mais porque eu deveria estar anêmica, mas não. Tinha uma alimentação saudável com algumas “porcarias” comuns que as crianças comem (meus pais nunca as restringiram mas me faziam comer fígado de boi, por exemplo). Eu tinha o costume de levar ovos de codorna, beterraba, pepino para o lanche na pré-escola, e amava. Comia tomate como se fosse maçã e meu pai fazia muito sucos naturais em casa, portanto minha saúde estava sempre ok, embora as pessoas achassem que tinha algo errado por que eu era “muito magra”.

Na adolescência sofri muito, meus colegas de classe me chamavam de “Pernas tortas” porque minhas pernas eram tão finas, que os meus joelhos ficavam em evidência. Também fui chamada MUITAS vezes de “magrela”, “seca” entre outros adjetivos que foram colaborando para que eu me odiasse cada dia mais. Me convenci de que ser magra era terrível, uma verdadeira maldição e que ninguém ia se interessar por mim NUNCA. As meninas da turma eram “encorpadas” e eu era a “magrela”. As vezes me perguntavam se eu tinha anorexia.

Nivea e Ariane

Foto de 2006. Nós tínhamos 14 aninhos!

Chorei do fundamental dois ao fim do ensino médio, minha auto estima era péssima e eu queria ser invisível. Tentava comer o máximo que podia, fui a vários médicos mas como minha saúde continuava ótima e não faltava nenhum nutriente, nada podiam fazer por mim.

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Nessa época eu tinha por volta de 1,60 e pesava 37 kg (era quase impossível achar calças que me serviam), e os adultos já estavam tentando me convencer de que era ótimo ser magra e que daqui uns anos eu que estaria linda e minhas amigas “gostosas” estariam gordas, o que também não era nada legal se você parar pra pensar que “gostosura” e beleza são conceitos que formamos e que vão muito além do nosso peso. Percebi isso alguns anos depois do fim do ensino médio, depois de entrar pra um grupo de teatro, depois de fazer um curso técnico de dança e até conseguir engordar uns quilos. Já pesava meus 47 kg e nessa fase da dança consegui bater meu recorde de 49,900 Kg, estava muito feliz.

Comecei a trabalhar e em dois meses, comendo melhor e mais do que eu comia, perdi quase 5 kg e fiquei com 45kg (como assim, hein?), sofri de novo. No trabalho as pessoas são tão cruéis quanto na escola e quando nossa cabeça não esta muito boa a gente segue a frequência. Fiquei péssima de novo e comecei a tentar de TUDO para engordar, de herbalife a buclina (que melhora o apetite – como se eu não tivesse apetite), depois de um ano tentando cheguei aos 48kg mas logo arranquei dois sisos e em uma semana perdi 2, ou seja 46kg.

Aí percebi que esse é meu corpo e é assim que ele reage ao mundo.

Seria legal ter uns 52kg e ver minhas calças mais justas, sem precisar de cinto, mas não vou viver em função disso, sou bem mais que meu peso“.

Nós estamos sempre em busca de um corpo perfeito, mas ele existe mesmo? Eu sempre pensei que ser como a Ari era o certo, porque todas as meninas das revistas e da tv eram como ela, e eu sempre fui mais “encorpadinha” e me via acima do meu peso por isso, quando na verdade eu não era, sempre estive no meu peso ideal.

 
Magreza

Não é atoa que temos tantas meninas e meninos sofrendo com a bulimia, anorexia, vigorexia, e outras doenças psicológicas que afetam a nutrição. Por isso, acho super importante  o acompanhamento de um médico, nutricionista e psicólogo para o tratamento de peso, seja ele em excesso ou em falta.

Aprenda a amar seu corpo do jeito que ele é, é o maior bem que nós temos nesse mundo, então cuide da sua saúde e do seu bem estar, o resto é superficial!

Se tiver alguma história para contar, escreva pra gente!

Beijo beijo e até o próximo post!