Quando falamos de alimentação infantil, nos deparamos, na maioria das vezes, com crianças que não querem comer, ou que só aceitam determinados alimentos. Mas também encontramos aquelas crianças que comem tudo e de tudo!! Qual o limite de alimentos que devo ofertar? Como deixar meu filho saciado por mais tempo? O que oferecer quando ele me diz que está com fome e acabou de comer?

Primeiro vamos entender como funciona a saciedade nas crianças e quais as possíveis causas de um aumento no apetite.

Mecanismo de saciedade

Dois anos de idade

Até os dois anos de idade, as crianças possuem um “centro de saciedade” específico no cérebro no qual ela pede alimento quando tem fome e para de comer quando esse mecanismo é atingido e então a fome passa. Eles sabem o quanto comer, e por estarem em uma fase de muitas mudanças, crescimento acelerado e desenvolvimentos o corpinho precisa de nutrientes. Por isso, que após essa idade as crianças acabam ingerindo menos alimentos, o que causa muita preocupação nos pais, mas o que acontece é que o crescimento já não é tão intenso e o organismo demanda de menos energia.

Nós adultos é que estragamos esse mecanismo tão perfeitinho e fazemos com ele perca o controle. No momento das refeições costumamos distrair as crianças com a TV, DVD, tablet, ou seja, mudamos o foco da sua atenção do alimento para outra coisa e empurramos uma colherada de comida a cada oportunidade, não é mesmo?! Isso desregula a sensação fome x vontade de comer.

Comer e assistir tv

“Raspa o prato, menino!”

Quem nunca ouviu alguém da sua família falar isso? Essa fala significa muito para a criança, ela só pode parar de comer quando não tiver nada no prato, já estiver acabado tudo. Ela pode estar satisfeita, mas vai comer até acabar. Esse pensamento é permanecido na adolescência e perpetuado na fase adulta. Transformam-se em homens e mulheres insaciáveis, que sempre querem mais mesmo quando já satisfeitos.

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Utensílios apropriados

Crianças devem ter pratos de criança, talheres de criança e comer quantidade adequada para seu tamanho. Muitas vezes, por comportamentos inconscientes, os adultos servem porções grandes, em prato de adulto, no momento que ele acha que a criança deve comer. Atente-se a esses detalhes, o apetite pode ser um fator genético, mas também é regulado pelo ambiente e comportamentos do seu meio.

Pratinho com divisória

Pratinho com divisória

Talheres adaptados

Talheres adaptados

Aspectos psicológicos

Ansiedade e depressão

Com as crianças maiores, na idade escolar, o que pode acontecer é o sentimento de ansiedade exacerbada ou depressão presente do dia a dia delas. Geralmente os doces e alimentos gordurosos são usados como válvula de escape por essas crianças, criando a sensação momentânea de prazer. A origem desses sentimentos podem ser desde algum tipo de cobrança na escola, problemas de relacionamento no meio em que vive, perda de alguém querido, desentendimento dos pais, entre outros tantos motivos. O acompanhamento psicológico neste momento é de extrema importância.

Solidão

Outro motivo pelo consumo exagerado de alimentos pode ser que a criança fique muito tempo sozinha, sem atividades, sente falta dos pais, muitas vezes consumidos e cansados pela rotina diária, ela acaba chamando atenção através do alimento. E neste momento, como compensação, são ofertados alimentos industrializados, fontes de gorduras, açúcar refinado, sal, corantes e conservantes.

solidão

O que oferecer para o meu filho, então?

Controlar a saciedade de uma criança não é tarefa fácil. Ela está em fase de desenvolvimento e o corpo precisa de nutrientes, assim, o mais importante é a qualidade do que será oferecido e não tanto a quantidade. Temos algumas estratégias que podem ser testadas e dar super certo!

Evitar industrializados

Como já falamos em outras potagens no blog, alimentos processados são pobres em micronutrientes e fibras. Trazendo aumento de peso, depósito de gorduras nos órgãos, doenças crônicas, deficiências de vitaminas e minerais, entre outros problemas. Inclusive são de rápida digestão e absorção, não trazendo saciedade e a criança vai sempre pedir mais.

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Invista nos naturais

Frutas inteiras, picadas, juntas, separadas, sucos, vitaminas, no bolo, na gelatina, como sobremesa, no meio da tarde, enfim, são sempre uma boa pedida.

Legumes e verduras crus, refogados, cozidos, com limão, com azeite, com ervas naturais, dentro da torta, junto com a carne moída, na panqueca, no arroz, no feijão, no bolinho… podem ser apresentados de maneiras diversas!

Esses alimentos são ricos em fibras, um importante aliado na saciedade. As fibras retardam a digestão, deixando-a mais lentificada, dessa maneira a criança demorará mais tempo para sentir fome.

Nutrientes

Sabemos que alguns nutrientes causam sensações boas, tenho certeza que tem alguns deles na sua geladeira!

Zinco: diminui a vontade de alimentos muito doces e gordurosos. Fontes: cereais integrais, nozes, amêndoas.

Vitamina B6: aumentam o bom humor. Fontes: banana, batata, uva passa, cereais integrais.

Triptofano: regulam a ansiedade. Fontes: leite e derivados,, aveia, banana, leguminosas.

Ômega 3: elevam a serotonina. Fontes: peixes, sementes, cereais integrais.

Fibras!

Se formos pensar em um prato de macarrão de farinha branca com molho de tomate e um prato de arroz com feijão, filé de frango, brócolis e salada de tomate, com qual deles você sente fome mais rápido? Esse é conceito das fibras, quanto mais variedade de alimentos naturais tiver o prato, mais tarde a fome surgirá.

Pratinho saudável

Tente aplicar essas sugestões com seu filho, e faça o acompanhamento do seu peso e estatura com o pediatra. A alimentação deve ocorrer de forma natural, equilibrada, sem forçar, brigar, ou transformá-la em algo ruim. Procure uma nutricionista que ela poderá lhe dar outras dicas!

Beijos e até o próximo post!

 

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