Muitas mães preocupam-se quando os filhos não comem ou comem pouquinho. São mães conscientes de que as crianças gastam muita energia brincando, aprendendo e precisam repôr essa energia pela alimentação. Temos mães cada vez mais conhecedoras dos alimentos chamados funcionais, que fazem bem ao organismo. São mães que buscam repôr a energia com alimentos que contribuam para o crescimento ósseo, o bom humor, a regulação do intestino, enfim, buscam uma alimentação rica em nutrientes.

Alimentação e fala

Hoje, quero lhes apresentar mais um ponto importante da nutrição: a relação entre a alimentação e o desenvolvimento da fala das crianças. Essa relação se dá pois usamos algumas estruturas iguais para o falar e o comer, por exemplo, os lábios, a língua, o palato.

Os lábios e a língua são compostos por feixes musculares, podendo apresentar diferentes graus de tonicidade e mobilidade. A movimentação ampla e o tônus muscular adequado -principalmente dos lábios e da língua – são fundamentais para o falar. Mas como posso desenvolver esses pontos no meu filho?

O grande segredo está na textura e na consistência dos alimentos. É por meio desses dois ítens – textura e consistência – que a criança aprende como mastigar, aprimora a sensibilidade, os movimentos, a força muscular, além de identificar sabores e gostos. Assim, em paralelo com o desenvolvimento dentário e muscular, a criança vai aceitando, aos poucos, alimentos mais fibrosos e consistentes, favorecendo o aumento do tônus e da mobilidade orofacial.

Consistencia

Vamos aprofundar mais um pouquinho o raciocínio…

Para a criança falar a sílaba “tá”, ela precisa elevar somente a ponta da língua, encostando-a atrás dos dentes centrais e depois abaixá-la. Faça o som dessa sílaba para você perceber! Já para falar a sílaba “cá”, é preciso elevar somente a parte posterior da língua, até encostá-la no palato mole, e voltar à posição inicial. Para falar a palavra “areia”, é necessário vibrar a língua levemente ao encostar no céu da boca, para o som do “r” ser adequado. E para falar a palavra “três”, é preciso, ao mesmo tempo, elevar a ponta da língua, encostar atrás dos dentes centrais e vibrar, simultaneamente. Ufa! É uma ginástica! E ainda nem falamos dos sons que fazemos com os lábios!

fala

A ginástica da fala

Pois é, toda essa “ginástica da fala”, pode e deve ser estimulada por meio da textura e da consistência dos alimentos.

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O primeiro passo é estimular o aleitamento materno. O ato de sugar o seio materno desenvolve a força e a mobilidade da musculatura orofacial, além de favorecer o vínculo mãe-bebê. No início da introdução dos alimentos prefira oferecê-los bem amassadinhos. Depois, com alguns grãos. Assim como um instrutor de academia aumenta gradativamente a dificuldade e o peso dos exercícios com seus alunos, as mães podem fazer com a textura e a consistência dos alimentos de seus filhos. Sempre gradativamente. Mastigar junto ou na frente da criança também é um grande incentivo, já que elas aprendem por imitação.

Algumas crianças podem apresentar dificuldades, podem cuspir, engasgar, ter ânsia de vômito, chorar ou parar de comer, rejeitando preparações mais consistentes ou granulosas. Nesses casos, procure uma fonoaudióloga. Essa profissional irá avaliar, diagnosticar a causa e orientar a conduta para minimizar e/ou reverter essa rejeição.

Muitos são os fatores que podem interferir no desenvolvimento da fala. O fato da criança se alimentar com diversas texturas e consistências, é um dos fatores principais para o desenvolvimento da musculatura orofacial, permitindo que a “ginástica da fala” flua sem dificuldades. Favorece à criança tornar-se apta a produzir os sons da nossa língua – denominados fonemas – sem distorções, trocas ou omissões sonoras, que não sejam esperadas para a idade. Portanto, vimos como a alimentação da criança é estreitamente relacionada com a habilidade da fala, e esse cuidado com texturas e consistências fará todo o diferencial!