Meio-dia e meia e o centro de São Paulo ferve. São os trabalhadores saindo para comer. Tem aqueles que levam sua marmitinha, feita com amor e carinho. Outros tantos, optam pelos famosos pé-sujos típicos da metrópole. O PF, amado prato feito ou comercial. Tem vários nomes para falar uma coisa só: bastante comida por um preço bacana, tempero de casa, com aquela delícia de prato cheio.

A segunda-feira é dedicada aos conterrâneos: o virado à paulista. Ô delícia. Aquele ovão, banana à milanesa e bisteca, fora o arroz branquinho com a couve à mineira. De salivar a boca.  Pra quem diz que segunda é o dia mundial da dieta está perdendo uma belezura da gastronomia paulistana. E está só começando a semana. Trânsito pra cá, gente correndo pra lá, fumaça pra todo lado. Coisa de quem vive nessa cidade e está habituado.

Chegou terça-feira. Dia mais “ligth”, um bifinho a rolê com aquela caldinho da mistura do molho de tomate com o caldo da carne. Se é coxão mole, se é alcatra ou filé mignon não dá pra saber. O importante é ela desmanchar na boca com o arroz e o feijão.

O frio de SP é de doer. Chega nesses meses de inverno, o corpo pede um comidinha mais pesada, e essa veio na época da escravidão e ficou. Não tem como, é paixão nacional, junto com o samba e o futebol. Chega no meio da semana, não tem como fugir, quase como sagrado. O estômago já espera receber a combinação de feijão preto, couve, arroz, carne seca, costela, paio… e tem aqueles que gostam da mais pesada. Vai que vai. Ô delícia. O difícil é não dormir na mesa de trabalho quando a digestão está acontecendo na barriga. O chefe fica de olho, não pode piscar. E se tomar a caipirinha junto, fica mais difícil ainda.

Aí a semana começa a acabar. E como nessa cidade é possível encontrar tudo por ser a capital da gastronomia, os italianos também tem seu espaço. Macarrão, molho de tomate e queijo ralado. Pra quê mais? Não pode faltar o pão, que dessa vez é francês para raspar o prato e deixá-lo quase limpo. Precisa ficar de olho pra não sujar a camisa e voltar pro trabalho com a babada impregnada.

Tem gente que gosta desse cardápio, outras nem tanto, mas é sexta-feira. Dia de happy hour  com a galera da firma. O final de semana está aí e pra quem não vai trabalhar no sábado, o importante é almoçar rápido. Um peixinho cai bem. E é o dia dele. Moqueca ou frito, o gostoso mesmo são as batatinhas e saladinha para acompanhar. 

Assim acaba a semana, e na outra, o cardápio é o mesmo. Pode variar por um frango frito ou assado, mas o gostoso mesmo é manter a tradição paulista mêu! E assim, a cidade segue, as pessoas voltam para as suas casas e o botão da calça jeans e da camisa vai ficando apertado, apertado…