Sempre ouvimos falar sobre os conservantes em alimentos. Mas pra que eles servem? Eles são assim tão ruins quanto parecem?

O ato de conservar o alimento é bem antigo, com o uso de recursos como o sal, a gordura, entre outros. Essa era a forma que nossos antepassados tinham para conservar a comida, especialmente carne, antes de existir a geladeira. No entanto, hoje, quando pensamos em conservantes para os alimentos, nos vem a imagem de produtos químicos tóxicos que podem fazer mal ao serem consumidos.

O que é um conservante?

Conservante é qualquer substância colocada em um alimento ou outro produto, com a intenção de mantê-lo o mais próximo possível de quando foi produzido, ou seja, íntegro, próprio para ser consumido e com aparência de fresco.

Qual a sua importância?

Entre outros fatores combatidos pelos conservantes, o principal objetivo é deter a proliferação dos microrganismos (bactérias e fungos) que podem estragar o alimento. Além de estragar – quem nunca viu uma laranja com crescimento de fungos, como essa da foto? -, os microrganismos podem produzir substâncias tóxicas, e até letais, para nosso organismo.

Laranja com bolor

Laranja apresentando crescimento de fungos – bolor

Quais conservantes são utilizados?

Além dos conservantes ditos naturais, como o sal e açúcar (conservante de compotas de frutas), há uma série de outros compostos utilizados, como sulfitos, ácido ascórbico, ácido benzóico… Um de grande importância e amplo uso são os nitratos e nitritos, usados em alimentos derivados da carne, que impedem o desenvolvimento do Clostridium botulinum, a bactéria causadora do botulismo, uma doença grave que afeta o controle motor podendo causar paralisia.

O conservante utilizado em cada alimento deve estar presente em seu rótulo. No entanto, ele é informado normalmente como uma sigla, dificultando o entendimento.

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Conservantes

Esses compostos são prejudiciais a saúde?

Este é um tema bastante polêmico.

Muitos testes são feitos antes da liberação de um conservante para ser utilizado no mercado, assim como de qualquer outro aditivo alimentar. Isso inclui testes em animais e humanos, para ver sua toxicidade e o limite máximo seguro que uma pessoa pode consumir o composto sem que haja efeitos nocivos. Com base nesses testes são estipulados o máximo de cada conservante que um alimento pode conter, que é regulamentado pela legislação de cada país.

Há relatos de casos de reações alérgicas a conservantes em pessoas mais sensíveis, embora seja difícil de relacionar totalmente a alergia a um determinado conservante. Além de reações alérgicas, o uso de conservantes, assim como outros aditivos alimentares, por pessoas com gastrite pode agravar o caso, já que o estômago já debilitado terá que lidar com essas substâncias. A combinação de alguns conservantes em determinadas condições pode gerar ainda substâncias cancerígenas, mas se essas substâncias se combinam no organismo, e se mesmo combinadas são capazes de gerar tumor é algo que não temos certeza.

O que podemos imaginar também é: se esses produtos afetam os microrganismos do alimento, não podem afetar os que vivem dentro de nós? Aqueles que estão lá pacíficos e são necessários para a nossa saúde, principalmente intestinal? Provavelmente sim. Os efeitos? Não sabemos, novamente.

Nos últimos anos, o uso de conservantes é cada vez maior devido a praticidade. Com a correria do dia a dia, normalmente consumimos alimentos industrializados por ser o mais fácil e cômodo e o conservante permite que um alimento esteja viável por muito mais tempo que um alimento fresco.

Mesmo existindo uma série de experimentos, cada organismo é diferente e não há como prever de forma completa qual é a reação do corpo a todos esses compostos somados que consumimos ao longo da vida. Nosso corpo é um sistema extremamente complexo e testes, mesmo que em animais e humanos, nem sempre nos mostram tudo, ainda mais se pensarmos a longo prazo. Assim como em todas as áreas da Ciência, é um conhecimento em construção e nos resta ver as cenas dos próximos capítulos – e evitar o consumo exagerado desses compostos, dando sempre preferência aos alimentos frescos, claro.

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Desculpe deixar mais dúvidas que certeza, rs.

Beijos